quinta-feira, 20 de julho de 2017

Leite e Mel de Rupi Kaur

Classificação: ⭐⭐⭐

Leite e Mel é um livro escrito por Rupi Kaur, composto por vários poemas que se encontram divididos em quatro partes: “a dor”, “o amor”, “a separação” e “a cura”. (Acho que estas quatro partes funcionam como que um ciclo, que se repete várias vezes ao longo da vida.)

Confesso que ler poesia é algo que não estou acostumada e só o faço quando preciso de ler por causa da escola. Mas a sinopse deste livro, estas quatro partes que ele aborda, as ilustrações e toda a edição, que está completamente magnífica, fizeram-me querer lê-lo.

Ao nível da temática fala, para além de dor, de amor, de separação e de cura, fala sobre violação, sobre amor, sofrimento (e superação), feminismo, entre outros.

Para mim foi um bocado difícil ler alguns poemas, mais sobre a temática da violação, propriamente dita, porque a poesia de Rupi Kaur é crua e direta. Sem rodeios. E como não li muito sobre este tema, acabei por achar um pouco pesado em algumas partes.

A poesia da autora é mais descuidada com a métrica e com a organização dos versos em relação a outros poemas que já li para a escola, mas de certa forma, isso faz com que a leitura flui-a melhor para o leitor e, acredito que, a escrita flui-a melhor também para a escritora.

Em suma, este é um livro real, extremamente íntimo, sincero, que nos apresenta realidades obscuras como a violação (mas que precisam ser faladas e debatidas nos livros), e nos mostra que nós mulheres, passamos por mais coisas em comum do que aquilo que imaginamos, não me refiro à violação, mas a todas as relações amorosas que tem tantas semelhanças entre si.

Espero que tenham gostado desta minha opinião, talvez um pouco mais pequena do que o normal, mas deixo-vos agora um excerto do livro. É uma mensagem de positivismo e inspiradora que decidi partilhar convosco:

“aguenta firme na tua dor
deixa que dela nasçam flores
ajudaste-me
a que nascessem flores da minha dor
por isso
abre-te em beleza
sem medos
com garra
abre-te com suavidade
abre-te como precisares
mas deixa-te florir

- aos leitores”

(página 158)

Beijinhos e boas leituras!
 
Lia

sábado, 8 de julho de 2017

A química dos nossos corações de Krystal Sutherland

Classificação: ⭐⭐⭐⭐
 
A química dos nossos corações de Krystal Sutherland foi um livro que a princípio não me chamou a atenção, mas bastou parar e ler a sinopse dele para ter a certeza que o ia adorar!

O livro conta a história de Henry Page, um rapaz de 17 anos que nunca se apaixonou (é claro que teve aquela namorada na infância, mas era na idade em que os namoros consistiam em andar de mão dada), mas sempre sonhou em encontrar a sua alma gémea, tal como os seus pais se encontraram um ao outro.

Grace Town é a nova aluna na escola de Henry Page, veste-se com roupas masculinas e usa uma bengala para se apoiar enquanto caminha. Esta não é a rapariga dos sonhos de Henry Page, mas quando ambos são convocados para coordenadores do jornal da escola, eles acabam por se conhecer e a química dos seus corações é inevitável…

Porém, Grace Town esconde muitos segredos. Segredos esses que podem dificultar, e muito, esta possível futura relação. Será que juntos conseguem ultrapassar tudo e ter um final feliz, ou será que os corações partidos são algo com o qual eles vão aprender (e ensinar-nos) a lidar?

Uma coisa que adoro neste livro é o facto de não ser cliché, não se limita a ser (mais) um romance, é muito mais do que isso. Aliás, “Único” é um adjetivo perfeito para caracterizar este livro, porque tem um enredo único, personagens únicos, episódios únicos. Até podia dizer “quem gostou do livro X, vai gostar deste”, mas não consigo encontrar termo de comparação, porque é realmente diferente de tudo aquilo que já li. O livro parece-me bastante realista e com acontecimentos todos eles muito suscetíveis de suceder realmente.

Algumas personagens que vão sendo apresentadas ao longo da obra recebem uma descrição completa, desde a descrição física, a episódios que o narrador vivenciou com essa personagem, por exemplo.

A amizade entre Henry Page e os seus melhores amigos é uma amizade que se consegue sentir como verdadeira, com brincadeiras completamente parvas, conversas completamente parvas, mas que quando é preciso, os amigos estão presentes e querem o melhor uns para os outros.

Existem pelo menos dois personagens que me irritaram muito, em vários momentos distintos, mas é aquele amor/ódio que não consigo deixar de sentir pelos personagens. Fizeram e disseram coisas que eu fiquei “NÃO!!! NÃO FAÇAS ISSO!!!”, mas o facto de os personagens me irritarem nem é um ponto negativo no livro, porque compreendo o seu lado, sei que estão a tentar fazer o que pensam ser o melhor para eles e é assim que evoluem enquanto personagens.

Os capítulos são curtos, o que me agrada bastante, e de certa forma faz com que a leitura seja mais rápida e fluida, porque estava sempre a pensar “só mais um capítulo”. A história é narrada em primeira pessoa (pelo ponto de vista de Henry Page) o que é algo que adoro. Existem várias referências a filmes, livros (como Harry Potter, Crepúsculo, A Quinta dos Animais…), músicas, bandas, famosos, entre outros, que quando fazem parte do conhecimento do leitor, acabam por enriquecer bastante a história.

O romance acaba por ter muita importância neste livro, mas não é apenas o romance entre duas pessoas, vemos várias relações, umas que dão certo, outras que não dão, umas que já terminaram, outras que talvez venham a começar e vemos também a forma como cada pessoa lida como a sua relação, umas tentam fingir que está tudo bem quando não está, outras fazem um escândalo quando termina… Aprendemos que o amor entre duas pessoas não dura para sempre, mas por acabar, não quer dizer que não tenha valido a pena.

Confesso que adoro marcar com post-it diferentes sentimentos que o livro me trás, tristeza, riso e outras coisas como quotes que tenha gostado e partes românticas, e este livro tem tudo isso. Conseguiu unir tudo de uma forma espetacular e na dose certa.

Recomendo muito este livro para quem gosta de um YA contemporâneo, sobre o primeiro amor, mas procura uma leitura diferente daquilo que já leu. Este livro encher-lhe-á as medidas e proporcionar-lhe-á várias reflexões e frases que ficaram para a vida.

Uma leitura realizada com o apoio:



Beijinhos e boas leituras!

Lia


sexta-feira, 30 de junho de 2017

O azul é uma cor quente de Julie Maroh

Classificação: ⭐⭐⭐⭐

“O azul é uma cor quente” foi o primeiro livro (e único, até agora) que li com um tema LGBT como foco, mais especificamente, sobre o amor entre duas pessoas do sexo feminino. Já há muito tempo que queria ler algum livro assim, mas estava meio perdida e sem saber por qual livro começar.

Quando vi este livro na Feira do Livro de Lisboa deste ano, fiquei encantada com as ilustrações (Mas não fui a única! A Inês do instagram @books4everyone também ficou!), depois percebi que se tratava de um livro LGBT e percebi que seria ótimo para uma primeira leitura sobre este tema, uma vez que seria uma história rápida, por ser em estilo de banda desenhada. Além disso, no dia 28 de junho foi o dia internacional do orgulho LGBT, então acho esta leitura não podia ter vindo em melhor altura!

O livro conta a história de uma adolescente, a Clémentine, de 15 anos, que ao passar por uma rua, se cruza com duas raparigas, uma delas acaba por lhe sorrir e de alguma forma, que Clémentine não sabe explicar, algo muda nela, com aquele sorriso enigmático de uma desconhecida.

Nada na vida da Clémentine continua como estava, as relações com os pais pioram, alguns amigos poderão afastar-se, as dúvidas sobre a sua orientação sexual ficam abaladas e numa idade em que conta tanto aquilo que pensam de nós, quais serão as atitudes que a Clémentine irá tomar daqui para a frente?

A narrativa começa depois de um determinado acontecimento na vida da Clémentine (que eu não vou revelar aqui, pois pode ser spoiler, apesar de nos ser dado a conhecer logo nas primeiras páginas), depois voltamos atrás no tempo e vemos como foi a vida dela, a partir dos seus 15 anos até ao acontecimento. O facto de a narrativa ser contruída assim, pode acabar por tirar um pouco da carga emotiva que o final teria, se desconhecêssemos o acontecimento, porém no meu caso, acabei por me emocionar na mesma, quando cheguei às páginas finais.

Tratando-se de um livro de banda desenhada e sendo eu uma estudante de artes visuais, não poderia deixar de referir que a qualidade do grafismo, do traço e a expressividade dos desenhos são realmente maravilhosos. Por vezes, não necessitamos de balões de fala, porque as imagens já falam por si. A paleta de cores é reduzida durante quase todo o livro, mas tem sempre um ou outro apontamento a azul, o que na minha opinião, resulta muito bem neste livro.

Porém, nem tudo são pontos positivos e existem duas coisas que não gostei: uma delas é o facto da tira com a propaganda do filme baseado no livro não ser de papel e retirável e ser realmente parte da capa, o que acabou prejudicando a ilustração desta. A outra coisa que não gostei foi que um dos dois tipos de letra escolhido para interior não fosse de fácil leitura e, entre determinadas letras, suscitou-me algumas dúvidas.

Gostei bastante desta leitura, foi rápida, fluida e comovente em algumas partes. Espero que mais gente conheça este livro, pois ele é uma leitura que nos ajuda a entender um pouco as dúvidas e tudo o que uma pessoa homossexual passa, em busca de um rumo para a sua vida.

Apesar de se tratar de uma banda desenhada, e de ser de fácil leitura, não recomendo para crianças, pois contém algumas partes mais adultas no interior.

Espero que tenham gostado da minha opinião e se lerem o livro digam-me o que acharam!

Beijinhos e boas leituras!

Lia
 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Tag: Ice Cream Book Tag

O verão já começou aqui em Portugal e as férias também! (apesar de, muito provavelmente, repetir algum exame, mas oficialmente estou de férias!) Por isso, decidi trazer-vos uma tag bem fresquinha, respondendo à Ice Cream Book Tag que a Rita do @housefullofbookss (que também tem blog: https://housefullofbooks.blogspot.pt/), me marcou lá no instagram. (Ela também respondeu a esta tag no seu blog, se quiserem conferir as respostas dela, o link do post é o seguinte: https://housefullofbooks.blogspot.pt/2017/06/tag-icecreambooktag.html). Obrigada pela tag, Rita!

Sem mais demoras, vamos à tag!

1.       Melão – O livro que vais ler este verão

 
Eu quero ler vários livros nas férias e aproveitar para colocar as leituras em dia. Um dos meus objetivos é ler algum livro LGBT e gostava imenso de começar pelo livro “Azul é uma cor quente” de Julie Maroh, que é um livro em banda desenhada com umas ilustrações maravilhosas e que vale muito a pena pelo menos folheá-lo. Quando o ler, farei um post com a minha opinião aqui no blog!


2.       Menta – Série favorita de todos os tempos

 
Confesso que cada vez mais, prefiro livros únicos em vez das séries, porque acabam sendo leituras mais rápidas. Além disso, quase sempre gosto menos das continuações do que do primeiro livro e, em alguns casos acho que são desnecessárias. Porém, quem me acompanha, sabe que a série “A Minha Vida é um Filme” da Paula Pimenta, é uma das que mais gosto, mesmo não tendo terminado de ler (o que acontece com quase todas as séries que já comecei a ler).

 
3.       Limão – Série pesada/demorada

 
Eu escolhi a série “Divergente” de Veronica Roth. Acho que mais alguém colocou este livro como resposta a este tópico, mas realmente acho que se adequa perfeitamente aqui. Apenas li “Divergente” e “Insurgente”, mas achei que foram livros que demoraram muito tempo a serem lidos, que tem muitas ações e reviravoltas, várias personagens e acaba por ser uma série um pouco cansativa.

 
4.       Tiramisu – Um livro que te alegra

 
O livro “Miúda Online” de Zoe Sugg é um livro super fofo, com um romance adolescente e que aborda também temas importantes e que é muito bom vê-los abordados em livros juvenis.

 
5.       Fiordilatte – Um clássico

 
“O Principezinho” de Antoine de Saint-Exupéry foi um livro que li entre a infância e adolescência, e que é uma leitura que todas as crianças (e também os adultos) deveriam fazer.
Além disso, é um livro tão famoso que pode até ser considerado um clássico, não concordam?

 
6.       Morango – Uma história de amor fofa

 
“Namorado de Aluguer” de Kasie West (uma autora completamente maravilhosa) é o tipo de livro mesmo cliché, mas mesmo assim tão lindo e fofo, que é impossível não gostar! Um livro rápido, de leitura fluida e perfeito para ler entre leituras mais densas e complicadas.

 
7.       Chocolate – A sequela da qual estás à espera

 
“O Pacto – O crime de ter nascido” de Gemma Malley é um livro fantástico sobre um universo distópico onde a cura para a imortalidade foi descoberta.
Aqui em Portugal publicaram o primeiro livro (“O Pacto – O crime de ter nascido”) e o segundo (“A Resistência – Ninguém pode decidir por ti”), porém, se não estou em erro, lá fora, saiu um terceiro volume que tem como título “The Legacy”, volume esse que eu gostava imenso que a editora Presença publicasse também.

 
8.       Café – Um livro que te manteve acordada durante a noite

 
Para ser sincera, nunca passei uma noite inteira a ler, mas quando li o livro “diz-lhe que não” de Helena Magalhães, acabei por ir dormir mais tarde num dia ou outro, para puder ler mais um pouco deste livro antes de adormecer.

 
Aqui está a tag! Espero que tenham gostado!

 
Vou marcar algumas pessoas maravilhosas (colocarei o nome e o perfil de instagram, uma vez quem nem todas tem blog) para responderem também:
- A Mia do “miasouza._”;
- A Inês do “books4everyone”;
- A Patrícia do “lovepeaceandwrite”;
- A Mariana do “banal.girl”;
- A Inês do “alifewithbooks_”;
- A Marta do “thebookmermaid_”;
- A Angie do “angiexreads”;
- A Day do “lendo1bomlivro”.

(respondam à tag no vosso blog, instagram, youtube, ou onde preferirem)

 
Quem não está marcado, sinta-se à vontade para responder à tag na mesma!


Beijinhos e boas leituras!

 
Lia